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sábado, 1 de outubro de 2016

Mooji - O último pensamento





" Lembro-me de uma história que costumava contar, 

e já não a conto há muito tempo:

 Havia um homem, um homem de negócios, e cada vez que fechava sua loja ia ao satsang. 

Às vezes estava tão cansado que adormecia no satsang. 

Mas ele adorava ir sempre ao satsang, 

só que nem sempre conseguia manter a atenção 

ou os olhos abertos durante este tempo. 



Então, um dia ele estava em satsang e o guruji estava falando, 

e disse uma coisa para a sala, mas este homem ouviu muito bem. 

O guruji disse: 

Qualquer que seja o pensamento que esteja em sua mente, 

o seu último pensamento, te levará ao seu próximo nascimento. 

O seu pensamento final, te levará ao seu próximo nascimento.



Estas palavras atingiram o homem de forma tão poderosa, 

que depois do satsang ele foi para casa e não conseguia deixar de pensar: 

O último pensamento determinará o meu próximo nascimento... 

Oh meu Deus, isto é demais! 

E pensava tantas coisas. 

Minha vida é tão atribulada, 

como é que eu posso ter certeza 

de que o último pensamento me vai levar para o paraíso? 

Ele estava obcecado com esta ideia, 

pensando sempre naquilo.



Então, no decorrer do tempo a mulher dele ficou grávida e teve gêmeos, 

dois meninos. 

Ela perguntou: que nome daremos aos meninos? 

E imeditamente o homem disse: 

Chamemos um de Rama e o outro de Krishna. 

Porque vou ser muito apegado aos meus filhos, 

e com certeza, quando estiver morrendo estarei pensando neles. 

E assim, no meu último suspiro 

irei chamar os meus filhos 

e então irei ver Krishna e estarei com Rama, 

é isso!



Ele ficou satisfeito consigo mesmo e ficou muito feliz.



Os anos se passaram, e este homem ficou doente, 

com câncer. 

É uma doença rapidamente degenerativa, 

e ele tinha que sair de casa para ir ao hospital; 

não havia cura para ele. 

Ele estava lá deitado, com a respiração difícil. 

Mas ele pensa nos filhos 

e não consegue esquecer o que o guruji havia dito: 

E assim, a cada respiração lembra-se dos filhos, 

Rama... Krishna... 

e sentia-se muito bem, 

por detrás da dor, ele sentia muito bem, 

porque sou apenas meus filhos agora. 

Então, parece que o meu último suspiro está chegando 

e só penso nos meus filhos, 

Rama... Krishna...



Assim então, o fôlego se esvai. 

Então, o médico manda chamar os rapazes 

que tem agora por volta de 18 anos e que tomavam conta da loja. 

Então, o médico diz aos rapazes 

que fechem a loja e que venham se despedir do seu pai, 

venham depressa. 

Então, eles fecham a loja ao meio dia e vão ao hospital 

e ficam ao lado da cama de seu pai. 

O pai abre os olhos, 

vê seus filhos.. 

Ramaaaa, Krishnaaa...



Pai, estamos aqui! 

Cada um segurando numa mão. 

E ele: Ramaaa...Krishnaaaa.. 

E agora chega o último suspiro...

E eis que surge um pensamento, 

o último suspiro e... 

e os dois estão aqui quem ficou tomando conta da lojaaaa... "


...



" Algumas pessoas me dizem: 

Ah você me confunde! 

E eu digo não, não te confundo, 

você se sente confuso "


...



"Então, se você mantiver esta ânsia dentro: 

tenho de ser livre, 

esta vida é para a Liberdade, 

então algumas vias vão surgir 

para te guiar à forma mais rápida. 

De acordo com a capacidade da sua mente, 

a forma mais rápida se a sua busca for genuína."



Mooji







vídeo by: 

texto e imagem by: 

O Profeta


Resultado de imagem para Al Mustafa vendo o navio chegar


O PROFETA


AL-MUSTAFA, o Eleito e o Bem-Amado,

que era uma aurora em seu próprio dia, 

esperava havia doze anos, na cidade de Orphalese, 

o regresso de seu navio 

que o levaria de volta à ilha onde nascera.



E no ano décimo segundo, ao sétimo dia de Ailul, o mês da colheita, 

galgou o monte fora da cidade e olhou para o mar; 

e deparou com o navio chegando com a névoa.

Então, as portas de seu coração abriram-se, 

e sua alegria voou longe sobre o mar. 


E, 

fechando os olhos, 

orou no silêncio de sua alma.



Mas ao descer o monte, foi invadido pela tristeza, e pensou no seu coração: 

“Como poderei ir-me em paz e sem pena? 

Não, não será sem um ferimento na alma que deixarei esta cidade.

Longos foram os dias de amargura que passei dentro de suas muralhas, 

e longas as noites de solidão; 

e quem pode despedir-se sem tristeza de sua amargura e de sua solidão?



Muitos foram os pedaços de minha alma que espalhei nestas ruas, 

e muitos são os filhos de minha ansiedade que caminham, 

desnudos, entre estas colinas, 

e não posso abandoná-los 

sem me sentir oprimido e entristecido.


Não é uma simples vestimenta que dispo hoje, 

mas a própria pele que arranco com minhas mãos.

E não é um mero pensamento que deixo atrás de mim, 

mas um coração enternecido pela fome e a sede.


Contudo, não posso demorar-me por mais tempo.

O mar, 

que chama a si todas as coisas, 

está-me chamando, e devo embarcar.

Pois permanecer aqui, 

enquanto as horas se queimam na noite, 

seria congelar-me 

e cristalizar-me num molde.


De bom grado levaria comigo tudo o que aqui está. 

Mas como fazê-lo?

A voz não leva consigo a língua e os lábios que lhe deram asas.

É isolada que deve procurar o éter.

É também só, e sem o ninho, que a águia voa rumo ao sol.”



E quando atingiu o sopé da colina, 

virou-se novamente para o mar 

e viu seu navio aportar e, 

no convés, agruparem-se os marinheiros, 

os homens de sua terra natal.



E sua alma gritou e disse-lhes: 

“Filhos de minha velha mãe, que correis na crista das vagas impetuosas.

Quantas vezes navegastes nos meus sonhos. 

E agora chegais ao meu despertar, que é meu sonho mais profundo.

Disposto encontrais-me a partir, 

e minha impaciência, 

de velas desfraldadas, 

está à espera do vento.



Tomarei apenas mais um hausto de ar neste recanto sereno, 

volverei para trás somente mais um olhar afetuoso.

E, logo após, juntar-me-ei a vós, marujo entre marujos.

E tu, vasto mar, 

mãe sempre acordada,

Que, sozinho, 

és paz e liberdade para o rio e o regato,

Uma só volta fará ainda esta corrente, 

um só murmúrio sussurrará ainda nesta clareira,

“Depois, virei a ti, 

gota ilimitada a um oceano ilimitado.”


E enquanto caminhava, viu homens e mulheres 

abandonando suas hortas e vinhedos 

e apressarem-se rumo às portas da cidade.

E ouviu-os chamarem seu nome 

e anunciarem de campo a campo, uns aos outros, 

a chegada de seu navio.


E disse consigo mesmo:

“Será, acaso, o dia da separação o dia do encontro”? 

E será dito que meu anoitecer era, na verdade, minha aurora?

E o que oferecerei àquele que deixou seu arado no meio do rego 

e àquele que imobilizou a roda de seu lagar?


Converter-se-á meu coração numa árvore de abundantes frutos 

que colherei e lhes distribuirei?

E correrão meus desejos como um manancial 

onde lhes encherei os copos?


Sou, acaso, uma harpa 

para que em mim toque a mão do Onipotente, 

ou uma flauta para que Seu sopro me atravesse?

Um ser em procura de silêncios, eis o que sou, 

e que tesouros tenho descoberto nos meus silêncios 

que possa distribuir com segurança?


Se este é o dia de minha colheita, 

em que campos plantei a semente, 

e em que estações esquecidas?


Se esta é, na verdade, a hora de levantar minha lanterna, 

a chama que nela brilhará não será minha.

Vazia e apagada erguerei minha lâmpada.

E o guardião da noite a abastecerá de azeite 

e a acenderá também. ”



Essas coisas, 

ele as expressou em palavras. 

Mas muitas outras permaneceram inexpressas 

no seu coração. 

Pois nem ele podia externar seu segredo mais profundo.



Khalil Gibran



Kahlil Gibran's The Prophet





texto em: O Profeta de Khalil Gibran - http://espacoganem.blogspot.com.br/

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sábado, 6 de agosto de 2016

O amor



O amor é bálsamo milagroso para os hematomas da alma. 

Elixir da juventude, não importa a idade que se tem. 

Vacina tríplice contra os males da falta de poesia, de sonho e de ternura. 

Composto vitamínico eficaz para mantermos, acesa, a capacidade de brilho no olhar. 

Receita caseira da vovó para massagear a vida com a própria essência que a vida fornece.

O amor é sol que chama a sombra pra ser outra coisa. 

É relógio que marca um tempo diferente. 

É um jeito que escapole do controle. 

É música que faz os medos ficarem doidos de vontade de dançar. 

É pipa que empinamos no quintal da nossa casa, rabiola feita de riso e de encanto, os pés descalços na terra; descalço, sobretudo, o coração. 

É convite precioso para a vida cantar mesmo quando desafina, porque tudo desafina de vez em quando.

O amor é fruta madura colhida agorinha, não importa quantas vezes o calendário tenha se reinventado. 

É promessa sem garantia nenhuma. 

É a melhor fala do roteiro, tanto faz se de improviso. 

É a muda da estrela mais feliz que a gente traz pra cultivar na Terra. 

É a inspiração que sopra no corpo e na alma um punhado contente do que imaginamos ser o paraíso. 

É a maneira divina mais bonita de nos humanizarmos de verdade.

O amor é o lugar mais transformador e ventilado do universo. 

É quando Deus brinca e a gente brinca junto.


© ANA CLÁUDIA SALDANHA JÁCOMO
In Cheiro de flor quando ri 1
(publicado em 10 de Fevereiro de 2010)
via: https://www.facebook.com/almacelta.ni.fairiesworld

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

sem título







Tenho em mim
O medo de engrandecer tanto
As coisas pequenas
Que as grandes sumam
de cena


Guardo uma tampa que acho na rua
Como um tesouro
E jogo fora meu ouro
Na próxima esquina


Porque se precisa ser guardado
Ou aguardado
Pouco importa
Importa que seja nada


Procuro os nadas
de Manoel de Barros.
E inutilmente esbarro
em vazios.


Guardo em mim
Palavras de mendigos
Relevos de calçadas
Postos abertos após as 10


E, com tudo isso,
Adoeço de ser eu
Desconfio sempre de onde estou

Mesmo confinado em casa


Me esvazio ao oco
Em filas de supermercado.
E lamento,
Contudo,
Que não sei lidar

Com nadas.


Marcos

fontes: 

texto/poesia em: http://praleraqui.blogspot.com.br/

imagem em: Search Google

Luto


" E se somos Severinos

iguais em tudo na vida,

morremos de morte igual, 

mesma morte severina: 

que é a morte de que se morre 

de velhice antes dos trinta, 

de emboscada antes dos vinte 

de fome um pouco por dia 

de fraqueza e de doença 

é que a morte severina 

ataca em qualquer idade, 

e até gente não nascida. " 



João Cabral de Mello Neto











texto em: http://pensador.uol.com.br/joao_cabral_de_melo_neto/ 

Imagem em: https://www.google.com.br/search?q